Cinco formas de conectar bem-estar e comunicação (e vice-versa)

Para quem se pergunta o que Comunicação tem a ver com Bem-Estar, aqui estão cinco respostas

11/11/20253 min read

Em empresas, é comum pensar a comunicação como uma competência técnica: um conjunto de habilidades colocadas em prática ao se falar ou com o público interno (bons comunicados e canais eficientes para manter as equipes bem-informadas e o sentimento de pertencimento em alta), ou externo (um bom engajamento em digital, matérias bombando em grandes veículos e uma reputação reconhecida, por exemplo).

Mas a Comunicação vai muito além, já que ela é fundamental também para fatores além da mera técnica e que impactam diretamente o trabalho. A comunicação é um reflexo direto de como estamos — fisicamente, emocionalmente e mentalmente. O que acontece dentro de nós, em algum momento, transparece aparece na forma como nos expressamos.

Nos últimos anos, pesquisas em neurociência, psicologia positiva e comportamento organizacional vêm mostrando essa relação entre comunicação e saúde mental. A seguir, compartilho cinco pontos de contato entre bem-estar e comunicação que podemos constatar todos os dias se observarmos nossos líderes, equipes e processos culturais:

1) Clareza emocional precede clareza comunicacional

A capacidade de nomear emoções com precisão reduz a reatividade e melhora decisões. Esse foi um achado da pesquisadora Lisa Feldman Barrett, de Harvard, sobre Emotional Granularity. Brené Brown também trouxe esse assunto em “Atlas of the Heart”.

Quando você confunde “ansiedade” com “empolgação” ou “raiva” com “cansaço”, o cérebro organiza mal as informações. Por isso, a linguagem sai truncada, confusa, na defensiva.

Desenvolver letramento emocional é, portanto, uma forma de se comunicar com mais clareza. Em organizações, isso se traduz em conversas mais honestas, decisões mais conscientes e um clima de confiança mais estável.

2) O corpo é o primeiro mediador da comunicação

O corpo não é apenas o veículo da fala; ele é parte ativa da construção do pensamento. Pesquisas sobre embodied cognition (George Lakoff, Antonio Damasio) demonstram que postura, respiração e gestos influenciam como processamos e comunicamos ideias. Isso também está presente na famosa "fórmula 55/38/7", de Mehbarian, na década de 60, sobre o corpo, as palavras e a voz como canais para a comunicação.

Por exemplo: respirar de forma curta aumenta a ansiedade e acelera o discurso; já uma respiração ritmada ativa o sistema parassimpático, diminuindo o tom emocional e ampliando a clareza cognitiva.

3) Escutar é um ato de presença — e de saúde mental

Estudos da Harvard Business Review (2019) mostram que profissionais treinados em escuta ativa reduzem conflitos internos em até 32%. E programas baseados em mindfulness (Mindfulness-Based Stress Reduction, Jon Kabat-Zinn, 2011) comprovam que a atenção sustentada diminui ruminação mental e fortalece empatia.

Escutar verdadeiramente alguém requer o mesmo tipo de foco tranquilo que se treina em mindfulness: atenção sem pressa, sem julgamento, com curiosidade. Por isso, ambientes com boa escuta são também ambientes mais saudáveis.

4) O diálogo interno impacta o diálogo externo

A autocompaixão, conceito estudado por Kristin Neff (University of Texas), é um dos fatores mais poderosos de regulação emocional. Pessoas com um discurso interno gentil e realista têm menos medo de errar, comunicam com mais autenticidade e escutam com mais empatia.

Nas empresas, essa habilidade se traduz em feedbacks mais construtivos, menos defesas e mais aprendizado coletivo. Cultivar autocompaixão é manter uma comunicação não violenta consigo mesmo. O reflexo de ter mais pessoas autocompassivas é perceptível em culturas corporativas mais saudáveis.

5) Coerência interna é o eixo da confiança externa

Tanto a discutida Teoria da Dissonância Cognitiva, de 1957, quanto pesquisas recentes que aconteceram na esteira do aumento da polarização trouxeram informações importantes sobre coerência. Estudos recentes do MIT (2022) apontam que incongruências entre valores e práticas geram desgaste emocional, cinismo e desconfiança — tanto individual quanto institucional.

No plano da comunicação, isso acontece na forma de discursos vazios, slogans desconectados da realidade e a uma sensação geral de “não acreditar no que se diz”. No plano do bem-estar, o resultado é o burnout.

Me conte se você também vê comunicação e bem-estar como mais próximos do que se costuma suspeitar!